Publicado em: 20/09/2019 às 09h40

Por que alguns cirurgiões-dentistas ainda resistem à Harmonização Facial?

Marco Bianchini destaca a evolução da nova especialidade, que já apresenta importantes evidências científicas de sua efetividade.

Sem dúvida alguma que a Harmonização Facial é a área mais badalada da Odontologia nos últimos anos. Esta nova especialidade odontológica levou os cirurgiões-dentistas a encontrarem resultados estéticos muito mais favoráveis do que obtinham anteriormente. A face sempre foi uma região de domínio dos dentistas, mas muitos ainda olhavam somente para os aspectos intraorais. O advento da Harmonização Facial levou a classe odontológica para fora da boca, melhorando seus resultados e a satisfação dos pacientes.

Como toda e qualquer nova especialidade que aparece no mercado, a Harmonização Facial também levantou muitas questões e polêmicas. A mais conhecida delas foi a briga com alguns setores da Medicina, que se sentiram “invadidos” e não aceitavam que nós, cirurgiões-dentistas, pudéssemos realizar estes procedimentos. Depois, vieram as discussões dentro da nossa própria classe, onde muitos colegas ainda questionam a real efetividade deste importante tratamento.

Dentro da Implantodontia e demais áreas cirúrgicas, como Traumatologia, Periodontia, Cirurgias Ortognáticas, Oral Menor, dentre outras, já é quase uma unanimidade de que os procedimentos de Harmonização Facial melhoram sobremaneira os resultados finais. Eu mesmo fui um pouco reticente com esta técnica. Porém, após observar os resultados de protocolos sobre implantes que receberam algum tipo de preenchimento facial e a satisfação que isso causava aos pacientes, me rendi imediatamente e passei a indicar fortemente esta técnica.

Infelizmente, sempre que uma nova técnica surge no mercado aparecem os abutres e torcedores da desgraça, afirmando que “isso não vai dar certo”. Foi assim nos primórdios da Implantodontia, no tempo dos implantes convencionais, antes de Brånemark. Os implantes dentários estavam iniciando a sua caminhada, que culminou com as descobertas de Brånemark, mas não faltaram urubus para negar a técnica e dizer que jamais um metal seria aceito pelo organismo. Os mesmos críticos de ontem são os usuários de hoje.

Da mesma forma, quando surgiram as próteses adesivas, com preparos mais conservadores, os primeiros a fazerem uso delas foram fortemente criticados, pois uma técnica que dependesse tanto de sistemas adesivos jamais poderia dar certo. Hoje, temos aí a Odontologia Cosmética e Adesiva, que conservaram muito das estruturas dentais sadias.

Podemos aqui também falar da Odontologia Digital, que hoje é uma realidade na Odontologia. Quem nunca ouviu falar a famosa frase: “nada substitui a velha e boa moldagem convencional”. E as cirurgias guiadas, fresagens, etc. Quantas críticas receberam e hoje estão fazendo parte do dia a dia de muitas clínicas e consultórios.

Resultados estéticos estão cada vez mais unidos aos resultados funcionais. Atualmente, é muito difícil que os clientes aceitem um resultado que restabeleça a função deixando uma estética desfavorável. Neste sentido, eu sempre fui um crítico ao excesso de foco na estética em detrimento do restabelecimento da função mastigatória. Porém, a partir do momento em que encontramos uma técnica que aumente os resultados estéticos sem que a função seja prejudicada, não há razão para que esta técnica não seja utilizada por todos nós.

Obviamente que ninguém é obrigado a aceitar uma nova técnica sem que esta não tenha comprovado cientificamente a sua efetividade. Não é o caso da Harmonização, assim como não foi o caso da Implantodontia, da Odontologia Digital etc. Tudo sempre começa com pequenas evidências que vão se intensificando e comprovando a eficácia, dia após dia, até se tornarem um consenso. Sem falar no aumento da autoestima dos clientes, que melhora os resultados a longo prazo. E isso a Harmonização Facial vem conseguindo em grande escala.

Você não precisa ser o primeiro a utilizar uma nova técnica, mesmo que esta técnica já seja totalmente aceita e permitida. Aguardar a confirmação de mais resultados positivos pode ser uma escolha prudente. Entretanto, negar evidências e se transformar em um torcedor do insucesso é, no mínimo, desprezível. Isso pode ser aceitável para leigos, mas jamais para profissionais da área da Saúde, principalmente para aqueles que lutam por melhores tratamentos que possam ser aplicados nos pacientes e que tragam a satisfação tanto para nós quanto para os nossos clientes.

 

“Faze-me ouvir a tua benignidade pela manhã, pois em ti confio; faze-me saber o caminho que devo seguir, porque a ti levanto a minha alma.” (Salmos 143:8)

 

 
   


Marco Bianchini

Professor associado II do departamento de Odontologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); autor dos livros "O Passo a Passo Cirúrgico na Implantodontia" e "Diagnóstico e Tratamento das Alterações Peri-Implantares".

Contato: bian07@yahoo.com.br