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Publicado em: 13/09/2012 16h24

Você acredita no sucesso dos enxertos de bancos de ossos?

Bianchini discute o polêmico tema e a sua relação com as infecções cruzadas, a estabilidade de implante, a perda óssea e o time do Figueirense.

Um dos grandes problemas para o implantodontista é a falta de osso. Colocar um implante na posição protética ideal exige que os nossos pacientes tenham uma quantidade óssea considerável. Infelizmente, em algumas situações, esta quantidade ideal não existe e o cirurgião se vê obrigado a realizar um enxerto ósseo.

Existe uma série de tipos de enxertos ósseos com as mais variadas indicações. Hoje, abordaremos a prática do uso dos enxertos de bancos de ossos, que vem sendo criticada por alguns e defendida por outros. Para tanto, trago dois artigos sobre este tema. O primeiro artigo faz uma avaliação longitudinal do sucesso deste tipo de enxerto. São 287 implantes colocados em áreas enxertadas e os resultados são promissores. Mesmo assim, muitos céticos ainda não acreditam neste tipo de tratamento. Isto já ocorreu com os enxertos no seio maxilar, onde o padrão ouro era o autógeno e hoje já não é mais.

Os defensores dos enxertos de bancos alegam que os resultados são os mesmos obtidos com o osso autógeno, e que a morbidade diminui consideravelmente, pois não há necessidade de área doadora.

A maior crítica aplicada aos enxertos de bancos de ossos é que sempre existe, mesmo que remotamente, a possibilidade de uma infecção cruzada. Este fato realmente ocorre e é confirmado por alguns relatos na literatura. Atualmente, o controle dos doadores está cada vez mais rígido, reduzindo muito as chances de isto se concretizar. A possibilidade de se contrair uma doença através de um enxerto de bancos é a mesma do Figueirense ser campeão da Série A do Brasileirão neste ano. Matematicamente é possível, mas a combinação de resultados teria que ser imensa.

Outro aspecto criticado pelos opositores aos bancos de ossos é que o percentual de osseointegração desses enxertos seria muito baixo, e que a parte que realmente osseointegra é aquela em contato com o osso remanescente. Ora, se o nosso objetivo é viabilizar a colocação do implante e o enxerto resolve este problema, pouco importa se ele vai osseointegrar no enxerto de banco, desde que o restante do implante integre no osso remanescente e que o implante se mantenha estável em longo prazo. Nenhum implante osseointegra em 100% da sua superfície, mesmo em osso natural do paciente. Não se sabe ao certo qual o percentual ideal de osseointegração para que um implante se mantenha estável. Os blocos de osso autógeno também levam muito tempo para terem esse íntimo contato com o implante e, muitas vezes, nunca chegam a ter. Mesmo assim, os implantes também se mantêm estáveis nestas situações.

O segundo artigo que trago para vocês em anexo é de minha autoria, e foi publicado há três anos. Ele avaliou um caso clínico em que usamos banco de osso após três anos. Hoje, este caso já têm seis anos e encontra-se na mesma situação (Figuras 1 a 3). Não existe perda óssea peri-implantar e nem sintomas de inflamação ou infecção. Os tecidos moles estão com saúde e a prótese em boas condições. Ou seja, temos um sucesso clínico e radiográfico. Agora, se o enxerto de banco de osso está integrado na parte do implante que está em contato com ele, eu não sei. E nem quero saber! Isto não influencia no meu sucesso.

Você acredita no sucesso dos enxertos de bancos de ossos?
Figura 1

Você acredita no sucesso dos enxertos de bancos de ossos?
Figura 2

O que devemos ter em mente é que o enxerto, seja qual for o tipo, viabiliza a colocação do implante em situações críticas. O aumento do volume ósseo proporcionado pelas enxertias facilita o ato cirúrgico e permite que as perfurações sejam feitas mais adequadamente e em posições mais favoráveis do que em um osso fino (Figuras 1 e 2).

Você acredita no sucesso dos enxertos de bancos de ossos?
Figura 3

O sucesso vai ser medido por uma série de critérios clínicos e radiográficos como: ausência de mobilidade do implante, ausência de perda óssea, ausência de inflamação dos tecidos moles peri-implantares, ausência de complicações protéticas etc. Se isto estiver ocorrendo, o enxerto cumpriu o seu papel e possibilitou a colocação do implante, devolvendo a estética e a função ao paciente em uma área pobre em estrutura óssea, com um mínimo de trauma, pois evitou áreas doadoras exageradas.

Marco Bianchini
Professor Adjunto III do Departamento de Odontologia da UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina (disciplinas de Periodontia e Implantodontia); Coordenador do curso de Especialização em Implantodontia da UFSC; Autor do livro "O passo a passo cirúrgico em Implantodontia".

Contato:
bian07@yahoo.com.br



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