Publicado em: 30/08/2019 às 11h25

Peri-implantite continua enchendo as salas

Marco Bianchini relata experiência inusitada durante as aulas ministradas no IN 2019.

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Na semana passada, tivemos a edição de mais um Congresso Latino Americano de Implantodontia, o IN 2019. Foram muitos palestrantes espalhados pelas diversas salas e auditórios do Anhembi, em São Paulo (SP), abordando os mais variados assuntos. Dentro desses temas diversos, lançamentos de produtos e inovações, eu pude observar que a peri-implantite, apesar de ser um assunto bastante conhecido, continua em alta e despertando o interesse de muitos colegas.

Durante o evento, eu ministrei quatro palestras, sendo que duas delas abordavam exclusivamente o assunto peri-implantite. Em todas elas, as salas ficaram lotadas e até com gente na fila de espera querendo entrar. Foi exatamente em uma dessas palestras que aconteceu uma situação inesperada: quando o palestrante que me antecedeu terminou a sua apresentação e a maioria das pessoas não saiu da sala e já havia uma fila do lado de fora com muita gente querendo entrar. Desta forma, o Corpo de Bombeiros teve que ser acionado para organizar tudo.

Os bombeiros estão nos eventos para fiscalizar tudo e evitar riscos, caso haja a necessidade de evacuação rápida em caso de incêndios ou qualquer outra emergência. Sendo assim, eles não permitem que as salas fiquem superlotadas. Aquele negócio que nós estávamos acostumados a ver, de gente em pé ou sentado no chão, acabou. Os bombeiros não permitem mais. Então, quando uma palestra acaba, geralmente é pedido aos que assistiram que se retirem para dar oportunidade aos que estão de fora para assistir também.

O problema é que, muitas vezes, quem já está na sala se interessa por várias palestras que serão ministradas naquele recinto e, assim, não quer sair de jeito nenhum. Foi exatamente isso o que aconteceu em uma das minhas apresentações de peri-implantite. Somente após muita conversa e paciência do bombeiro que estava na sala é que tudo se organizou e eu pude então iniciar a minha apresentação.

Figura 1 – Bombeiro organizando a sala antes de uma das minhas apresentações no IN 2019.

 

Figura 2 – Sala cheia de colegas ávidos por informações sobre peri-implantite.

 

Depois de terminada a palestra, eu fiquei refletindo e avaliando toda aquela situação inusitada que havia ocorrido. Obviamente que me senti orgulhoso pela procura dos colegas em me assistir. Porém, também fiz rapidamente a leitura de que o tema é extremamente relevante. Quem faz implantes no seu dia a dia realmente tem que enfrentar a peri-implantite em alguns dos seus casos. Não há como fugir dela. Sorrateiramente, ela vai aparecendo e você precisa saber enfrentá-la.

Apesar de a Implantodontia estar se modernizando muito rapidamente, os problemas peri-implantares continuam a assombrar muitos de nós. Vejam que uma classificação oficial só foi feita mesmo no ano passado pela Academia Americana de Periodontia e também pela Federação Europeia de Periodontia. Juntas, estas duas instituições elaboraram uma classificação que ajuda a todos os clínicos a identificarem e diagnosticarem melhor as alterações peri-implantares que ocorrem nos nossos casos.

Entretanto, um protocolo de tratamento ainda não foi totalmente definido. Muito se faz e muito se usa de produtos para tratar adequadamente a inflamação, infecção e perdas dos tecidos peri-implantares duros e moles. Contudo, não existe um consenso na literatura de qual a melhor técnica e isso faz o clínico penar na escolha do tratamento correto para estas enfermidades.  Certamente, isso explica a lotação das palestras que falaram sobre peri-implantite no congresso.

As abordagens que eu e outros professores que falaram deste assunto “sofremos” pelos corredores do Anhembi, deixaram-me ainda mais convicto de que devemos continuar focados em entender e tratar a peri-implantite. Os colegas abrindo seus iPhones e nos mostrando radiografias e fotos de casos de peri-implantite que eles queriam resolver alertam cada vez mais para um problema epidemiológico que já é realidade e tende a se agravar cada vez mais nas próximas décadas.
 

“ Assim diz o Senhor: No tempo da graça te ouvi e no dia da salvação te ajudei, e te guardarei, e te darei por aliança do povo, para restaurares a terra, e dar-lhes em herança as propriedades assoladas”. (Isaías 49:8)


 

 
   


Marco Bianchini

Professor associado II do departamento de Odontologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); autor dos livros "O Passo a Passo Cirúrgico na Implantodontia" e "Diagnóstico e Tratamento das Alterações Peri-Implantares".

Contato: bian07@yahoo.com.br

 

           

 

 

 

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