Publicado em: 04/04/2016 às 11h18

Exposição de tela de titânio: e agora?

Jamil Shibli mostra os fatores clínicos envolvidos na utilização do material e dá dicas de cuidados para evitar o problema.

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Coordenação: Jamil A. Shibli*

Recentes avanços na utilização clínica de fatores de crescimento – principalmente de fibrina rica em plaquetas e leucócitos (L-PRF), e proteína morfogenética óssea (rhBMP-2) nas técnicas de regeneração óssea guiada – têm sido associados ao uso de barreiras, tais como membranas de teflon e telas de titânio. Estas últimas têm sido utilizadas com maior frequência e, obviamente, apresentam várias vantagens e desvantagens. Dentre as vantagens, podemos destacar a resistência em manter o volume à forma do contorno desejado do material enxertado.

As desvantagens são numericamente maiores: possuem memória, são difíceis de manipular, necessitam obrigatoriamente de fixação por parafusos e/ou tachinhas, e apresentam uma incidência de exposição relativamente alta após períodos de tempo que podem variar de alguns dias a alguns meses.

A exposição é uma das piores complicações, juntamente com a infecção. A exposição da tela ao meio bucal torna o enxerto não viável para obtenção do volume e quantidade de tecido regenerado desejado. Além disso, a exposição vem quase sempre associada a uma infecção e, caso isso ocorra, o procedimento de curetagem e remoção de todo o material enxertado se torna inevitável.

Assim, nesta edição do Direto ao Ponto, vamos abordar os fatores clínicos envolvidos na utilização das telas de titânio, principalmente no que tange os cuidados para evitar tal exposição.

O primeiro e derradeiro passo é a seleção da tela de titânio, que deve apresentar espessura suficiente para manter e conter o material de enxerto, evitando o efeito memória da tela que tende a abrir e expor. Outro fator importante é o diâmetro, número de orifícios e/ou entrelaçamento da tela – isso também depende da espessura do material. Na verdade, quanto menor a espessura e a largura da tela, melhor, uma vez que teremos menos área de tela para influenciar a vascularização do retalho.

Falando nesse assunto, além das prerrogativas normais de qualquer retalho (base maior do que o ápice, incisões a distância da área a ser regenerada), quando for possível, devem ser realizadas incisões invertidas, mantendo a tela e o material de enxerto todo coberto pelo retalho, evitando que os bordos fiquem próximos à área regenerada.

Quanto ao tamanho da tela, quanto menor, melhor. A dimensão da tela deverá entender-se por 3 mm a 4 mm do material de enxerto, e distanciar-se de dentes adjacentes por 2 mm a 3 mm.

Mantidas estas distâncias, o mais importante é a fixação. A tela não é mantida pela sobreposição do retalho, mas sim por parafusos e tachinhas. A tela e o material de enxerto devem estar bem fixos e estáveis, para evitar movimentação (Figuras 1). Finalmente, chegamos à cobertura, que deve ocorrer com o retalho sem tensão e bordos bem coaptados, preferencialmente com suturas colchoeiro.

A medicação pós-operatória deverá conter antibióticos e anti-inflamatórios esteroidais ou não esteroidais, além de um bom controle químico e mecânico do biofilme bacteriano.

Próteses provisórias removíveis deverão ser evitadas, utilizando aparato ortodôntico ou próteses fixas provisórias. Na impossibilidade destas opções, próteses totais deverão ser utilizadas após 21 dias da cirurgia, totalmente aliviadas e reembasadas com material soft ou comfort.

Caso, após todas estas etapas, ocorra a exposição da tela ou malha de titânio, dependendo do período de exposição, pode ser que nem tudo esteja perdido. Vale lembrar que, em 35% dos casos, existe uma incidência de exposição da tela após quatro a seis meses de cirurgia. Nestes casos, a exposição é parcial e a parte exposta pode ser removida com uma tesoura ou uma broca bem fina em alta rotação, mantendo-se o restante da tela que ainda está coberta.

Caso esta exposição ocorra imediatamente ou entre os 30 primeiros dias da cirurgia, recomenda-se que haja remoção de toda a tela e novo procedimento. A única certeza é que a tela nunca deve ficar exposta no meio bucal, uma vez que todo o material regenerado nesta região ficará contaminado e será perdido (Figuras 2).

 

Figuras 1 – A. Note as dimensões da tela (distância entre os dentes adjacentes e as fixações). B. Sutura oclusa com fio de teflon.

 

 

Figuras 2 – A. Exposição da tela após três meses do procedimento cirúrgico – a porção exposta deve ser removida cuidadosamente com alta rotação. B. Contaminação de todo o material de enxerto e tela após 21 dias da cirurgia. Todo o procedimento foi perdido e o material foi removido.

 

 

*Jamil A. Shibli

Professor titular do Programa de pós-graduação em Odontologia, áreas de Implantodontia e Periodontia – Universidade Guarulhos (UnG); Livre-docente do Depto. de Cirurgia e Traumatologia BMF e Periodontia – Forp/USP; Doutor, mestre e especialista em Periodontia – FOAr-Unesp.

 

 

 

 

 

 

 

 

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