Publicado em: 10/10/2019 às 17h44

O conhecimento da Implantodontia está nas nuvens

Marco Bianchini relata sua participação em congresso realizado em Porto Velho (RO) e uma agradável surpresa com os profissionais envolvidos.

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No último final de semana, mais especificamente no dia 5 de outubro, participei do primeiro meeting de Implantodontia e encontro de ex-alunos da Soep (Sociedade Odontológica de Ensino e Pesquisa), vinculada ao grupo Grois (Grupo de Reabilitação Oral Implantossuportada), ambos localizados em Porto Velho (RO). Foi uma interessante experiência, como professor e como ser humano, que só me confirmou aquilo que eu já venho observando há muitos anos: o conhecimento, hoje em dia, está na nuvem – ou seja, na internet – e não em locais ou mentes específicas.

Coordenado pelos professores Claudio Nóia e Bruno Sá, que também palestraram no evento, este meeting contou ainda com a participação de outros colegas com grande conhecimento científico: os Drs. Alber Barbara, Rafael Ortega e Felipe Araújo. Peri-implantite, aumento vertical e horizontal dos rebordos, preservação alveolar e estética foram alguns dos principais temas discutidos no evento, que foi realizado em um local de boa estrutura, com uma excelente organização, primando pela pontualidade, respeito e conforto, tanto dos palestrantes como dos congressistas.

O Brasil é um país muito grande e nós, aqui no Sul, temos uma infeliz soberba de achar que o conhecimento científico está nas grandes cidades do Sul e do Sudeste. Assim, quando viajamos para as regiões mais longínquas do nosso imenso Brasil, achamos que vamos encontrar uma plateia de certa forma desatualizada com o que está acontecendo nos grandes centros. Talvez, muitos europeus e americanos tenham também esta mesma percepção errada quando vêm ao nosso País participar dos nossos eventos.

O que ocorreu em Porto Velho é que os congressistas demonstraram um grande interesse e tiveram uma participação com perguntas bastante relevantes feitas no intervalo. O nível de respeito e o interesse do público que eu senti durante a minha apresentação foram bastante intensos, revelando que a audiência era seleta e preparada para enfrentar os desafios que a Implantodontia nos oferece, seja em Florianópolis, São Paulo, Nova York ou Dubai. Afinal de contas, o conhecimento de hoje está nas redes, está na nuvem e não em pontos isolados do planeta.
 

Vista aérea da região de Rondônia com o rio Madeira (afluente do rio Amazonas) sob as nuvens, ao fundo.


Quando você viaja pelo Brasil, principalmente para regiões mais distantes dos grandes centros, a oportunidade de conhecer pessoas e lugares diferentes aumenta em uma progressão geométrica, e foi exatamente isto que aconteceu comigo em Rondônia. As conversas de bastidores – aquelas feitas fora do evento e das palestras – me fizeram conhecer pessoas que enfrentam os mesmos desafios que eu enfrento na minha clínica diária. Foi saboreando um delicioso dourado, e depois um bombom de cupuaçu, que eu pude aprender com o pessoal de Porto Velho mais alguns aspectos clínicos da Implantodontia, que só quem senta no mocho todo dia e procura se atualizar sabe enfrentar.

O mérito da formação desta plateia diferenciada está muito nas mãos dos professores Claudio Nóia e Bruno Sá, que aceitaram o desafio de abrir uma escola de Implantodontia de excelência em Porto Velho há quase dez anos. São eles os responsáveis pela formação de muitos dos profissionais que estavam nesse evento e que demonstraram ser um grupo forte, que muito provavelmente vai fazer a diferença nos resultados da Implantodontia da região amazônica nos próximos anos. Eu falo da região amazônica porque as pessoas que compareceram no evento e que estudam Implantodontia na Soep-Grois vieram além das fronteiras de Rondônia. São verdadeiros heróis que se deslocam através de pequenos aviões, barcos, ônibus e carros para chegar à escola que irá lhes ensinar a vanguarda da Implantodontia mundial.
 

Comissão organizadora e palestrantes do evento. Da esquerda para a direita: Alber Barbara, Bruno Sá, Rafael Ortega, Juliana Curi, Felipe Araújo, Marco Aurélio Bianchini e Claudio Nóia.


A internet modificou o mundo nas últimas décadas, basta ter boa vontade que é possível estudar qualquer assunto nas redes. Entretanto, a Odontologia é uma ciência prática. Para que você se torne um cirurgião-dentista, você precisa realizar o treinamento prático. Felizmente, existem bocas em todos os cantos do mundo necessitando de tratamentos. Assim, uma vez que você adquire o conhecimento teórico, que está disponível na nuvem, basta que você tenha à disposição também a parte prática para se tornar um excelente implantodontista – seja em Florianópolis, São Paulo, Porto Velho ou nos confins da Terra.
 

“Quem é sábio, para que entenda estas coisas? Quem é prudente, para que as saiba? Porque os caminhos do Senhor são retos e os justos andarão neles, mas os transgressores neles cairão.” (Oséias 14:9)

 

 
   


Marco Bianchini

Professor associado II do departamento de Odontologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); autor dos livros "O Passo a Passo Cirúrgico na Implantodontia" e "Diagnóstico e Tratamento das Alterações Peri-Implantares".

Contato: bian07@yahoo.com.br

 

 

 

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